Com mais de 600 demos disponíveis no Steam Next Fest, eu imagino que a maioria de vocês estejam com a seguinte pergunta na cabeça: “Céus, como eu vou ter tempo para jogar isso tudo”. Tudo bem, eu também estou!
Pensando nisso que separei 15 demos com a maior diversidade de estilos e temas para vocês aproveitarem o Steam Next Fest. Vale lembrar é claro que esta não é uma lista definitiva e tampouco 1% do que o evento oferece. O intuito é trazer para foco jogos nem sempre tão conhecidos, com mecânicas inusitadas ou até temáticas fora do comum. Se você tem alguma sugestão, fique livre para colocar nos comentários e nós iremos adicionar na lista!

Você já começou um jogo e nos primeiros 10 minutos tudo que ele te mostrou se encaixou perfeitamente com o que você desejava? O combate, a narrativa, a ambientação, a trilha sonora, os efeitos especiais? Essa foi a sensação que eu tive com Unsighted da Studio Pixel Punk. O estúdio brasileiro e seu Hack ‘n slash top down chega com um estilo distinto e merece ser jogado várias e várias vezes. Isto é, ao menos até a versão final sair.

Misturando logística, quebra cabeças, estratégia e uma boa dose de humor, ConnecTank da YummyTummyGames coloca você no comando de um tanque em um mundo controlado por barões capitalistas. Seus personagens carismáticos e a variedade de táticas oferecidas para derrotar os oponentes me conquistaram desde o que eu vi pela primeira vez em um evento realizado pela Natsume.

Capitalismo tardio, brigas familiares, solidão. A demo de NORCO da Geography of Robots chega como um soco no estômago, mas é uma daquelas que eu não consegui largar até o final. A desenvolvedora desenvolveu uma identidade única para a sua narrativa e, aliada a impressionante estética, te prende mesmo sabendo que ele pode te machucar.

Assim como NORCO, No Longer Home da Fellow Traveller trata de despedidas e coisas que estão fora do seu controle. Pode ser que você não tenha passado por nenhuma situação demonstrada na pequena demo, mas como alguém que já teve que dizer “adeus” demais, a demo deixou uma imensa marca em mim – e não duvido que a versão final vá fazer o mesmo.

O estilo lo-fi da Geometa e a possibilidade de clicar em todos os botões dentro da torre de comando faz com que Carrier Command 2 seja a sequência que estamos esperando há tanto tempo. Tudo tem uma certa “fisicalidade” que é difícil de descrever em palavras, mas é um dos poucos jogos que te dá a sensação de estar de fato dentro de um porta aviões e enviar tropas para batalhar em terras distantes.

Há anos que a Renegade Sector Games vem aprimorando seus jogos “run n’ gun” com uma forte estética da era PlayStation 1. Como alguém que vem acompanhando todo esse processo, digo sem sombra de dúvidas que Escape from Terror City é o melhor deles. Recomendadíssimo para quem quer algo mais “arcade” e ainda assim com uma identidade forte.

Em desenvolvimento já há um bom tempo pela Plethora Project, Common’Hood expande o conceito do seu primeiro game — Block’Hood — para algo ainda mais personalizável. A proposta dessa vez é construir uma comunidade cujo um dos pilares é a sustentabilidade e o cuidado. A partida se intercala entre a narrativa dos habitantes que decidiram se juntar a sua comunidade e como você e eles colaboram para construir um mundo melhor. Mesmo que esse mundo seja apenas um pequeno pedaço de terra “abandonado” e “esquecido pela sociedade”.

Ainda é cedo para dizer que estamos entrando em uma era de “ouro” de jogos ambientados no universo Warhammer 40K, mas depois de Hired Gun o que eu estou mais ansioso para jogar é Battlesector – sobre o qual, aliás, já escrevi uma prévia. A Black Lab Games faz um trabalho incrível com seu combate e sistema de turnos e transforma os Tyranid em uma verdadeira ameaça mesmo em mapas abertos. Todo fã de estratégia merece dar uma olhada.

Deliciosamente gostoso de jogar, Terra Nil da Free Lives segue bastante o estilo de jogos como Dorfromantik e Islanders. Em suma você deve “restaurar a natureza” ao colocar edifícios como “limpadores de terra” e usinas eólicas. Entretanto, você precisa tomar cuidado onde colocá-los, pois errar a posição dos mesmos pode fazer você perder pontos e até perder a partida. Para um tema tão “pesado”, a Free Lives consegue um feito incrível com a demo de tão “relaxante” que é.

Quem não adora batalhas entre mechs? Ainda mais se elas forem com um sistema de turnos? Essa é a proposta da Ota Imon com Wolfstride. Bastou uma partida para eu me apaixonar pelo seu sistema de combate. Cada parte do mech tem seu ponto de vida e é necessário entender o campo de batalha para obter bônus e destruir a armadura do seu oponente não só para derrotá-lo, mas evitar possíveis ataques especiais.

Imagine um jogo onde você pode construir qualquer tipo de navio. Qualquer tipo mesmo. Não, não se restrinja a meros destróieres ou embarcações que você viu por aí. Faça o que a sua imaginação quiser. Quer um navio repleto de lasers? Um navio com tantos canhões que você não consegue enxergar o que está no restante da tela? Ou que tal um navio que flutua — pera, isto ainda é um navio? Tudo isso enquanto destrói hordas de inimigos. Waves of Steel, uma homenagem ao pouco conhecido Warship Gunner 2, oferece justamente isso. É divertidíssimo e absurdo como um jogo de combate naval deveria ser.

Se tem um jogo nessa lista inteira do Steam Next Fest que eu digo “olha, simplesmente jogue”, é Spire of Sorcery. O projeto da equipe russa Charlie Oscar Lima Tango é como uma partida de RPG mas com um sistema de combate e eventos desenvolvido por eles. Com bastante foco em criar narrativa e imersão, você deve explorar uma terra devastada em busca de tesouro ou alento, lutando contra as forças da natureza, animais e até mesmo seus companheiros. Seu sistema de regras pode ser um pouco assustador de início, ainda mais a parte de magia e uso de habilidades, mas vale muito a pena para quem tem interesse em ver diferentes sistemas coexistindo em harmonia.

Mesmo que presente previamente em outros festivais, reforço aqui a minha opinião que vocês precisam aproveitar o Steam Next Fest e jogar Chasing Stactic. O jogo conta a história de Chris Shelwood, um homem que se encontra preso em uma tempestade no norte do País de Gales e decide buscar abrigo em um café local. Minutos depois disso ele presencia um evento sobrenatural que não só destrói o café como toda a região.
A partir daí o jogo dá uma guinada para exploração de ruínas e uso de peculiares aparelhos para obter sinais de rádio, encontrar soluções para quebra-cabeças, desvendar o que de fato causou o evento sobrenatural e qual a ligação dos habitantes da região com isto.

A primeira vez que joguei a demo de Sephonie, o novo projeto de Melos Han-Tani e Marina Kittaka (Anodyne 1 e 2), me senti um pouco perdido. “Por que o uso desses controles? Por que não algo mais preciso?”. Foi então que me toquei que o design em si é intencional.
A meu ver, Sephonie tenta quebrar a barreira da ideia de que jogos de plataforma precisam ser puramente sobre plataforma e desafios, mas também sobre descobrimento. A dupla faz isso de uma forma espetacular e ainda completa com interessantes quebra-cabeças e uma paisagem evocativa que te deixa instigado a conhecer mais. Como não amar?

“Ah não Lucas, um shooter multiplayer, sério mesmo? Não estamos cansados disso?”. Ok, veja bem, embora eu tenha hesitado bastante em colocar Nine to Five na lista, o projeto da RedHill Games é um ótimo exemplo de como fazer um shooter para pessoas que não possuem muito tempo no dia a dia e ainda assim querem algo mais “tático”.
Cada partida – dividida em três etapas – dura no máximo 15 a 20 minutos e ainda mantém aquele grau de tensão e “céus será que vamos conseguir atingir o objetivo a tempo” que jogos como Insurgency: Sandstorm e SQUAD oferecem. A demo não oferece muito no quesito personalização, mas por estar previsto para sair como free-to-play, espere dezenas de armas e munições diferentes. Só torço para que as microtransações não sejam aquelas de doer no bolso.
Como muito bem disse, essa é só uma pequena parcela dos jogos que eu tive tempo de jogar durante o Steam Next Fest. A lista completa, incluindo transmissões ao vivo e comentários dos desenvolvedores você encontra na página do evento no Steam.