Análise – Warlock II: The Exiled

Esse é o 280º turno de meu 9º jogo de Warlock II, tenho aliados, porém tenho muito mais inimigos.  Novamente minhas cidades se encontram cercadas de monstros, não sei mais o que fazer. Isso era mais ou menos 5 e meia da manhã. Deveria estar dormindo, isso sim.

Acredite, Warlock II irá tirar o seu sono. Desenvolvido pela Paradox, ele é como um Civilization medieval, com uma grande ênfase em combate. Quando falo ênfase, quero dizer muita ênfase.

Warlock II te coloca na pele de um mago, digamos assim. Algo como um ruler de Civilization, só que com o poder de aprender e utilizar magias. Ao invés da pesquisa ser focada em melhorias para a sua civilização, você desenvolve magias que irão lhe ajudar no campo de batalha.

Warlock II

Se me perguntassem, Warlock II é um 4X para novatos? Não. Longe disso, a curva de aprendizado dele é muito maior do que os outros. Mesmo com nove partidas e incontáveis horas de jogo, não é difícil de entender a mecânica base, mas sim como lidar com a AI, que pode ser muito chata.

Como havíamos apontado antes em nosso preview, o problema não são apenas os outros magos, mas sim o universo em si. Na minha última partida tive o azar de ficar posicionado no pior ponto do mapa.

Haviam quatro Krakens em volta da minha ilha, grande dificuldade de expandir e perdi praticamente os primeiros cinquenta turnos tentando me livrar das bestas até conseguir ir para a próxima ilha.

Warlock II pode ser um pouco desbalanceado em relação a isso, até mesmo nos níveis mais fáceis. Ou você se dá muito bem em uma partida, ou você se dá muitíssimo mal na mesma.

Em comparação com Warlock I, ele decepciona um pouco na parte de unidades. Muitas delas foram reaproveitadas, sem muitas novidades nesse caso. É mais do mesmo, só que refinado.

Modo exiled: A grande novidade de Warlock II

Além do modo sandbox, o modo exiled é a grande novidade de Warlock II. Como cobrimos em nosso preview, o modo “Exiled”, que funciona como uma campanha de Civilization, mas com quest adicionais. O objetivo principal dessa campanha é chegar a um plano específico, mas para isso, você terá de passar por muitos outros.

O sistema de planos de Warlock II é uma das coisas mais intressantes que já vi em games 4X nos últimos tempos. Imagine que o seu mapa é grande, agora triplique, quadriplique isso em uma única partida.

Com muitas horas de jogo, isso se converte em um inferno de micro gerenciamento. A cada turno você tem que mover as suas unidades X que estão no plano Y depois ajustar sua cidade que está em plano Z para construir a unidade A.

Warlock II

Ou seja, quanto mais horas de jogo, mais o jogo fica lento. Se você é um daqueles impacientes que querem tudo na hora, Warlock II pode não ser para você.

Uma coisa que senti falta, porém, são cenários específicos, como os que temos em Civilization. Felizmente, temos as mod tools para isso. Espero que a Paradox lance alguns cenários ou campanhas extras por meio de DLCs.

Editor e ferramentas para mods.

Caso tenha medo da longevidade, Warlock II possui um robusto editor e ferramentas para criação de mods. Normalmente eu não comento sobre isso em reviews, mas as ferramentas dele são tão fáceis de se aprender que merecem muita atenção de qualquer um que tenha interesse nisso.

Warlock II

Em questão de minutos, você pode criar um cenário novo, novas quests, um novo mapa e por aí vai. Quem deseja mexer mais a fundo, encontrará que ainda existe a possibilidade de importar as suas próprias unidades, animações, efeitos especiais e tudo mais.

Tecnicalidades

Se você conseguiu rodar o Warlock I, Warlock II será tranquilo. Ao contrário de Age of Wonders III, que tivemos alguns problemas com a taxa de quadros, nada disso foi visto dessa vez.

Ainda não sou o maior fã da interface, principalmente a tela de pesquisa de magias. Ela ocupa a tela inteira e você tem que clicar demais para pegar informações que poderiam ser melhor dispostas.

Minha única dor de cabeça é com o fato de não existir borderless windowed. Tudo bem que é algo bem pequeno, mas para quem joga no PC, é útil. Seria uma perda de tempo reclamar disso se os outros jogos da Paradox não possuíssem. Como Europa Universalis, Crusader Kings já suportam, não seria pedir demais né?

Warlock II mantém a qualidade da franquia, pode não inovar quanto eu queria, mas refina muitas coisas, adiciona um novo modo de jogo e é vendida a um preço acessível de R$ 49,99. Caso não se importe com a dificuldade elevada, a falta de cenários específicos, vá em frente e se prepare para dormir muito, mas muito tarde de tanto jogar.

A análise foi feita com base em uma cópia enviada pela Paradox

Análise – Warlock II: The Exiled

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.