Análise – Rise of The Triad

Nos últimos dias, passei por momentos de dor, suor, lágrimas e principalmente muita diversão. Falo de Rise of The Triad, que provou para mim mais uma vez que os jogos considerados “old school” estão aqui para ficar novamente.

Foi nos primeiros minutos que percebi como essa geração e talvez a anterior me acostumaram mal. Não tinha mais os reflexos de antigamente, os inimigos me trucidavam em questões de minutos, para não dizer segundos.

Rise of The Triad requer movimentação muito rápida e ao mesmo tempo estratégia. Jogue vida regenerativa pela janela. Aqui, fera, só tem um jeito de se curar: Com comida espalhada pelo cenário.

É um misto de desgosto, preocupação e euforia quando você acaba de chegar em uma sala com 20 de vida e sabe que depois daquela porta terão inimigos sedentos por seu sangue e você tem quase toda a certeza que não sairá vivo.

Quem jogou Quake 3 ou Quake 2 vai se sentir em casa. Pode começar a treinar seus rocket-jumps, procurar áreas secretas pelo mapa e aprender a lidar com os absurdos da série.

Como não falar também dos cenários? Eles podem seguir uma mesma temática, mas sempre trazem uma sensação de variedade em cada fase. Devo destacar locais com lâminas rotatórias que podem matar o seu personagem em questão de segundos… tão divertido.


Não espere uma história super madura, cheia de reviravoltas ou algo parecido. Se joga Rise of The Triad pela diversão, pelo absurdo e pelas piadas. Afinal de contas, não há nada melhor do que seu personagem acabar de saborear uma deliciosa comida que lhe cura e soltar um belo de um arroto, não é mesmo?

Rise of The Triad

Explosões e violência online
Como tudo nesse universo, inclusive Tetris, tem multiplayer, Rise of The Triad não seria uma exceção. Para a minha surpresa, esse modo é muito mais divertido do que imaginava.

Imagine colocar oito pessoas em uma arena, dar armas absurdas para todos e falar “vai, se matem”. É mais ou menos isso.

Não há muito balanceamento nesse quesito, você pode utilizar uma minigun que solta mísseis, se transformar em um cachorro que uiva e matar alguém no mapa, depois queimar seus oponentes com uma napalm launcher e muito mais.

Por ter jogado antes do lançamento, não tenho como avaliar se ele criará uma comunidade saudável. Tendo em vista que a Interceptor planeja dar total suporte a mods, junto com a falta de um grande shooter multiplayer nos moldes de Quake 3 no mercado, tenho as esperanças de que pelo menos alguns fãs fiquem um tempo considerável se divertindo com ele.

Aliás, uma peculiaridade que notei é o quão pouco é necessário para se ter diversão dentro do online. Eu e um amigo entramos em um servidor e conseguimos passar minutos, para não dizer horas matando um ao outro de diversas maneiras e rindo das situações ridículas. Tudo isso sem a necessidade de capturar bandeiras, aumentar o XP de nosso personagem e outras firulas que encontramos nos shooters de hoje em dia.

Talvez seja essa a palavra chave de Rise of The Triad: Simplicidade. Em uma geração onde tudo dá XP, temos de nos desdobrar para habilitar uma arma nova, sentar e ter tudo a nossa disposição, criarmos a nossa própria diversão traz um ar de renovação.

Rise of The Triad

A parte técnica

Eu poderia falar que a AI do jogo não é avançada, que ela não se esquiva direito, que não é tão boa quanto de títulos como ArmA 3. De que isso importa?

O que você quer mesmo é pular com sua metralhadora, matar cinco caras enquanto está no ar, soltar dois mísseis no cara chato que está em uma plataforma acima de você e ver os seus olhos pulando em sua tela enquanto aparece a mensagem “Ludicrous Gibs”.

Graficamente, Rise of The Triad é bonito, mas não inova em nenhum aspecto. O que me incomodou um pouco é o seu “peso”.

Em muitos momentos, meu PC, que não é nenhum pense bem ou computador do milhão, sofreu para manter os 60 quadros por segundo. Isso se agrava no multiplayer, principalmente quando seus coleguinhas decidem soltar 40 mísseis juntos e transformar a arena em uma festa junina. Fui informado que já existem configurações que melhoram consideravelmente o desempenho, mas não fazem nenhum milagre.

Por sorte, falamos de um título para computador. Isso significa, muita configuração. Creio que tenha ficado uns bons 20 minutos vendo o menu de opções gráficas, haviam coisas ali que nunca tinha ouvido falar ou imaginava que existia.

Com isso, não se preocupe se o seu computador é rapido ou lento, tenho certeza que você achará um bom custo X benefício em relação aos gráficos / desempenho.

Não poderia deixar de citar sua deliciosa trilha sonora. Muitas das músicas são remakes da versão original.

Quem conseguiu jogar na época se impressionará com a nova versão de faixas como a Run Like Smeg (versão original abaixo). Elas não só se encaixam muito bem com a temática como também aumentam a sua adrenalina, ainda mais quando tudo explode em sua tela.

Todos os jogos deveriam ser como Rise of The Triad? Claro que não. O que ele demonstra é que há uma comunidade muito grande para esse tipo de shooters, principalmente no PC.

É graças a essas desenvolvedoras independentes que podemos não só lembrarmos de como era divertido jogar tais títulos de antigamente, como também redescobrirmos que nem sempre o game mais avançado de todos é sinônimo de diversão. Às vezes, só precisamos de uma rocket launcher e um pouco de imaginação.

A análise foi feita com base em uma cópia enviada pela Apogee Software

Análise – Rise of The Triad

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.