Análise – Sudden Strike 4: The Pacific War

Olhei por uma semana para o ícone de Sudden Strike 4 na minha área de trabalho. Estava apreensivo; The Pacific War (Steam / PlayStation 4 / Xbox One) — a sua maior expansão desde que o game de estratégia saiu há dois anos — tinha sido disponibilizada. A expansão para um jogo que eu declarei como uma das minhas maiores decepções dos últimos anos. Dois anos é o suficiente para dar a volta por cima? Pode ser para alguns, e quase foi para Sudden Strike 4.

No fundo, Sudden Strike 4 ainda é Sudden Strike 4. Ele não atingiu, nem deve atingir o grau de qualidade dos jogos anteriores da franquia. Ainda é limitado no seu escopo, na quantidade de inimigos na tela e nunca te passa a sensação de estar realmente em uma guerra, e mais em pequenos conflitos isolados. Ciente disso a Kite Games fez quase o impossível com a expansão, fazê-la interessante pelo uso mais amplo de infantaria.

Salvo pela primeira campanha da união soviética em Sudden Strike 1, infantaria sempre foi vista como um elemento secundário para a franquia. Ela é frágil, requer micro gerenciamento exagerado e possui dezenas de atalhos no teclado. Ela é o inverso da acessibilidade que Sudden Strike 4 pregava.

Depois de ter passado três campanhas com a mesma metodologia de “enfie 300 tanques no mapa e você cedo ou tarde vai vencer”, me adaptar ao uso de infantaria de The Pacific War foi no mínimo um choque.

Pacific War
Tanques e infantarias munidos com lança-chamas vão salvar a sua vida, acredite.

Comecei a expansão pelo lado Japonês e a tentativa de tomar o controle do Atol Midway dos Estados Unidos. Meu pelotão era composto de médicos, infantaria comum e três grupos com metralhadoras — armamento que considero uma das melhores adições da expansão. Para vencer eu precisaria destruir quatro canhões localizados nas extremidades da ilha. Cruzei a primeira ponte, fui recebido com dois bunkers, uma bela saraivada de tiros e vi meu pelotão inteiro ser dilacerado.

Tentei de novo, dessa vez com mais cautela. Preparei uma emboscada para os soldados dos EUA, este era o plano: Eu iria chamar a atenção deles com granadas, posicionar duas unidades de metralhadora no lado oposto da ponte, e assim que eles fossem alertados, recuaria todas as minhas tropas e deixava as metralhadoras cuidarem deles. Era para ser o plano perfeito, mas esqueci de um detalhe: eles também tinham artilharia de longo alcance. Fui dilacerado mais uma vez. Cansei de tudo e fiz o impossível, uma carga banzai. Vai que funciona, não é?

Funcionou parcialmente, os poucos soldados que restaram foram capazes de destruir a artilharia e pedir reforços. Uma pequena vitória que definiu o “tom” que seriam as outras nove missões da expansão.

The Pacific War toma bastante liberdade criativa em questão de “retratar” da guerra no Pacífico. Ataques noturnos não estão presentes, e os tanques japoneses mal aparecem e são mais voltados para o modo skirmish e multiplayer (boa sorte achando lobbies ou alguém para jogar). Mas o importante é que de todas as mini-expansões de Sudden Strike 4, as missões de The Pacific War são as mais desafiadoras.

Pacific War
Mapas não atingem o escopo de Sudden Strike 2, mas são tão desafiadores quanto.

Eu ficava entediado nas campanhas de Road to Dunkirk e Finland War. As mesmas táticas e opções que via no jogo base repaginadas em um novo cenário. Até mesmo o sistema de doutrinas dos generais (habilidades especiais que podem ser usadas durante as missões) não eram muito encorajadoras. Já as doutrinas de The Pacific War foram a diferença entre a vitória e a completa derrota. Guadacanal como os Estados Unidos sem a doutrina que aumentava o dano dos lança-chamas em 50% teria sido desesperador no “hard”.

Eu estava tão investido nas missões, no jeito que a narrativa se desenrolava, e na maior variedade de objetivos – mesmo que ainda sigam a linha do típico “vá ali e destrua algo” – que a expansão passou em um piscar de olhos. E me deixou não só com um gostinho de quero mais, mas com o gosto amargo de que a única coisa que restava era voltar para as outras missões de Sudden Strike 4.

Eu não queria voltar para elas, pois já tive que lidar com os problemas que The Pacific War carrega por conta de um jogo base que não foi refinado como outros títulos recentemente lançados pela Kalypso (Railway Empire sendo um dos melhores exemplos). O pathfinding dos veículos no geral ainda é terrível, sofri para desembarcar tropas, me irritei tentando me certificar que todos os soldados estavam protegidos de disparos continua sendo mais trabalhoso do que deveria.

Ao mesmo tempo, foi a primeira vez que eu realmente me senti satisfeito ao jogar Sudden Strike 4. Demorou dois anos para eu abrir um leve sorriso, ficar tenso e poder ter o prazer de descrever como eu alcancei a vitória frente a eventos que pareciam inviáveis. Vi uma luz de esperança no fim do túnel. Uma luz que dizia “quem sabe um dia, Sudden Strike volte ao seu formato original”. Isso bastou as horas gastas, os bugs, os problemas de pathfinding. Valeu a pena pois uma franquia que eu gosto tanto finalmente encontrou o seu foco.

De certo modo, The Pacific War é a expansão perfeita para o jogo imperfeito. Ela engloba tudo o que Sudden Strike 4 merecia ter sido: dinâmico, desafiador, inteligente no design de mapas e missões, e prazeroso de se jogar. É uma expansão que vai passar batida por muita gente, que provavelmente viu a decepção que foi Sudden Strike 4 dois anos atrás e não vai sequer dar bola. Se você não for um desses eu te digo: aproveite-a, ela merece.

Sudden Strike 4: The Pacific War

Total
Pacific War é o que Sudden Strike 4 deveria ter sido desde o lançamento: mapas variados, desafio e uma sensação de “vitória” ao completar aquela missão que parecia impossível. Chegou tarde? Sim, mas ao menos chegou. Uma pena que ainda é envolta de problemas – como pathfinding de veículos – trazida do jogo base.
Muito bom

Análise – Sudden Strike 4: The Pacific War

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.