Análise – Hitman GO: Definitive Edition

Eu tenho alguns pré-conceitos sobre jogos originados em mobile, confesso. Em Hitman GO: Definitive edition não foi diferente. Comecei a jogá-lo com os dois pés atrás e quando menos percebi, não queria mais largar. Ele está disponível para PlayStation 4, PlayStation VITA e PC a partir de R$ 15,99.

Tanto o conceito como as mecânicas são extremamente simples. Você é o famoso Agente 47 e deve eliminar um oponente ou chegar no final da fase sem ser visto. Ao contrário do resto da franquia, suas movimentações são limitadas a linhas, como um jogo de tabuleiro.

Simples não significa fácil, é bem importante lembrar disso. Cada fase de Hitman GO se constitui como um pequeno quebra-cabeça a ser desvendado. Ele começa relativamente fácil, você pode eliminar os inimigos ao pisar no mesmo círculo que estão sem que eles te vejam ou simplesmente ir diretoao assunto, se esquivar deles e completar a fase. É aí que as coisas começam a ficar mais interessantes.

Cada fase, ou tabuleiro digamos assim, adiciona de maneira incremental uma série de desafios e ferramentas nas mãos do jogador. Depois da terceira fase, os inimigos — que funcionam como agora podem se movimentar ao mesmo tempo que o agente 47, porém você pode usar uma pedra para chamar a atenção deles e alterar a rota. Após isso, você pode esconder em arbustos e pegar o inimigo de surpresa. Pequenas armadilhas no mapa o “teleportam” para outros locais, atiradores de elite te previnem de movimentar a peça em áreas específicas, enfim, você já deve ter pego a ideia.

Hitman GO: Definitive Edition

Junto a eles vem objetivos adicionais e se tem algo que eu gosto muito em quebra-cabeças são objetivos adicionais ou completa-los todos quase de uma vez só. Cada missão possui uma maleta que pode ser opcionalmente coletada. Não libera nada de mais, mas é um objetivo adicional que dá aquele ar de tensão extra para a missão. “Será que eu consigo pegar a maleta, evitar os inimigos e ainda eliminar o alvo nessa rodada?”, pensava enquanto planejava meu próximo passo.

E lá ficava, minuto após minuto, movendo a pecinha do protagonista para tentar entender a rota, quais passos tinha que dar para chegar até a maleta sem ser visto e depois eliminar meu alvo ou chegar no ponto marcado do mapa. É viciante me sentir desafiado constantemente por meras peças em um tabuleiro. É essa abstração que me afasta e ao mesmo tempo me aproxima do quanto eu gosto de Hitman GO: Definitive Edition.

Sem dúvida a estética, assim como a trilha sonora encabeçada pela famosa versão de Ave Maria criada por Schubert, são de grande ajuda para me imergir nesse mundo de assassinato onde uma gota de sangue não é derramada, apenas peças são jogadas para fora do tabuleiro.

A versão de PlayStation 4, usada para essa análise, não só apresenta uma iluminação sensacional, como limpa e com tempos de carregamento de segundos. Não sou um desses de me importar tanto com tempos, mas o trabalho da Square-Enix em torná-los o mais rápido possível reduz qualquer frustração que possa ter quando faço um movimento errado. É só apertar “quadrado” que já estou de volta a “ação”.

Claro que nenhum jogo é perfeito e Hitman GO: Definitive Edition não é uma exceção ao caso. Alguns pequenos problemas podem ser vistos principalmente no controle da câmera e na movimentação. Com uma visão isométrica como padrão, em momentos ele decide alterá-la sem motivo algum, o que me faz perder brevemente meu senso de direção.

Hitman GO: Definitive Edition

O que era “mover para esquerda” no controle se transforma em “mover para cima”. Não preciso dizer que muitas missões falharam justamente por causa disso. Lá estava eu a um passo de meu alvo, a câmera muda de posição, eu movimento meu personagem e vou para a direção contrária, para a cara de um oponente, que me elimina. Felizmente exemplos como esse não são frequentes, mas ainda sim desapontam um pouco.

Hitman GO era originalmente um título mobile e deve ser apreciado como um. Não, não falo de uma maneira depreciativa. O conteúdo que a Definitive Edition possui, que antes era disponível apenas por meio de micro transações na loja do jogo, é mais do que suficiente para te dar horas e mais horas de diversão.

Não que isso importe muito, afinal um jogo bom é bom independentemente da quantidade de horas gastas nele. A proposta de gastar uma ou duas horas por dia nele é muito mais atraente do que simplesmente sentar e tentar completar tudo de uma vez. Apesar que eu não duvido que muita gente vai acabar fazendo isso. Afinal, como apontei, vicia.

Às vezes falo um pouco demais esse ou aquele jogo foram as minhas surpresas do ano, mas isso é verídico em Hitman GO: Definitive Edition. O que achei que apenas mais uma forma de capitalizar em uma franquia que eu amo se apresentou como um jogo tanto esteticamente como tecnicamente belo, inteligente e que agradou tanto o meu lado fã de quebra-cabeças como o meu lado de jogos de tabuleiro.

A análise foi feita com base em uma cópia para PlayStation 4 fornecida pela Square-Enix

Hitman GO: Definitive Edition

Total - 9

9

Inteligente, constantemente desafiador, variado e muito divertido. Hitman: GO Definitive Edition é perfeito para uma rápida ou longas horas de diversão. Um jogo de mecânicas simples que ao mesmo tempo consegue evoluir em conjunto com a habilidade do jogador em resolvê-las. Perfeito para fãs da franquia ou quem gosta de um bom jogo de tabuleiro.

Análise – Hitman GO: Definitive Edition

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.