Análise – Europa Universalis IV: Common Sense

De tempos em tempos há uma expansão nos jogos da Paradox que irá alterar completamente o seu conhecimento sobre as mecânicas. Foi assim em Crusader Kings II com The Old Gods, Wealth of Nations em Europa Universalis IV e novamente com Common Sense. Ela está disponível no Steam a partir de R$ 27,99.

A primeira mudança está em como as construções são feitas. Antes, havia um número quase que infinito de construções em cada província. Agora este número está limitado a quantidade de desenvolvimento da mesma. Uma província com um nível baixo fica limitada a uma ou duas construções, enquanto províncias avançadas terão esse limite expandido consideravelmente. Isso provê uma camada estratégica adicional e faz com que pense duas vezes antes de construir uma nova edificação.

O sistema fica mais aparente em províncias que foram obtidas de países menores, como no momento que invadi a Inglaterra e peguei algumas províncias não tão desenvolvidas da Holanda. Com uma grande chance de ocorrer uma nova guerra para a recuperação dessas províncias, cogitei em construir fortes nelas, o que leva a segunda mudança de Common Sense. Essas fortificações agora são caras para construir, com uma manutenção alta, mas por outro lado agora bloqueiam o movimento da IA ou do jogador para outro território. Facilmente uma das minhas mudanças favoritas, agora você pode estruturar o país de forma que a movimentação de tropas inimigas ou até possíveis rebeldes fiquem dentro de uma zona de ação mais fácil de controlar.

Na partida com a Inglaterra, também foi possível ver o sistema de parlamento, uma das novas mecânicas exclusivas para o país. A cada dez anos é possível votar em um tópico e influenciar a votação no parlamento para que esse voto seja aprovado. É possível criar medidas — como a redução da manutenção de navios ou aumento nas tarifas mercantis — influenciar as taxas aos cidadão e outras melhorias. Maior fidelidade histórica é bem-vinda, onde por outro lado é um sistema que não diz ao que veio. Os bônus são bons ao custo de ter de gerenciar algo a mais. Houve momentos onde eu esqueci que ele existia e só era lembrado quando um evento — como um escândalo entre parlamentares — acontecia. Tais eventos são raros e pouco aproveitados.Europa Universalis IV: Common Sense

Common Sense também adiciona elementos que permitem com que se foque no desenvolvimento de uma província do que puramente na guerra, um dos pilares de Europa Universalis IV. Ao gastar pontos políticos ou militares você pode melhorar a província, aumentá-la de nível, permitir a construção de novas edificações e obter uma maior rentabilidade com ela. Com isso, países que não necessariamente tem um vasto poderio militar agora contarão com maneiras de expandir o país sem necessariamente partir para o conflito.

Apesar de divertido Europa Universalis IV as vezes parecia um tanto preso ao combate constante, principalmente depois das últimas expansões. Além disso, torna jogar com países menores um desafio mais variado do que apenas torcer para que a Prússia ou a França não tentem te engolir.

As religiões também sofreram alterações, sendo a mais interessante a dos budistas. Com um sistema de Karma, aqueles que possuírem muito Karma sofrerão penalidades nas relações diplomáticas. O mesmo acontece com líderes com uma quantidade baixa de karma. O valor é definido de acordo com as ações do jogador ao longo da partida. Muito parecido com as mecânicas de The Old Gods para Crusader Kings 2, não sou um grande conhecedor dos países que aderem a esta religião, mas nas partidas feitas ele ofereceu um balanceamento e ajudou a me guiar nas decisões.

Já para nações com o protestantismo como religião, agora possuem Church Power. Esse pode ser usado para comprar modificadores permanentes da religião, como reduzir o custo em desenvolvimento ou melhorar a moral dos exércitos. Pode parecer nada demais, mas para aqueles que não jogam com religiões católicas isso é extremamente bem vindo. Assim é possível melhorar

Europa Universalis IV: Common Sense

Nova interface de construção é uma das novidades de Europa Universalis IV: Common Sense

Colonialismo nunca foi uma das minhas habilidades mais bem trabalhadas em Europa Universalis, Nações subjugadas ao poder de uma nação dominante eram confusas e muitas vezes lidar com elas era mais irritante do que deveria. Em Common Sense agora você pode realizar ações como forçá-las a entrar em guerra com outra colônia, trocar o governador de tal colônia ao custo do aumento do desejo de liberdade ou ações que diminuem esse desejo. Isso não me tornará um mestre de gerenciar colônias, mas ao menos começa a torná-las algo mais interessante, assim como as melhorias em El Dorado.

Por fim, nações que estão no Sacro império românico germânico e possuem apenas uma província poderão receber uma Free City. Essa cidade conta com um governo republicano especial, enquanto o imperador recebe um bônus de dinheiro e recursos humanos. É uma mecânica peculiar, mas assim como o parlamento, não é algo que vá usar constantemente. Fico feliz que os jogadores do HRE recebam esse bônus. Mudanças como essa fazem com que os países fiquem balanceados no multiplayer.

Europa Universalis IV: Common Sense adiciona um pouco de tudo para cada estilo de jogador, seja você focado em guerra, melhorias nas províncias ou desenvolver a sua posição diante da sua religião. Ao contrário de Res Publica, focada quase que unicamente em alguns países, é uma das expansões que considero atraentes para quem decidir voltar a jogar o título de estratégia da Paradox.

A análise foi feita com base em uma cópia enviada pela Paradox

Análise – Europa Universalis IV: Common Sense

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.