Análise – BattleTech: Urban Warfare

Meu primeiro Flashpoint (um evento especial que acontece entre missões de BattleTech ) na minha recém-criada carreira em BattleTech: Urban Warfare era para obter um peculiar protótipo: um Raven. Munido de um equipamento especial, esse mech é capaz de esconder quaisquer unidades que estejam na sua área de atuação. “Um achado e tanto”, pensei. O que eu não pensei foi na minha ganância, no meu desespero e no meu despreparo. São esses os três elementos que fazem as novas partidas de BattleTech : Urban Warfare (Steam / GOG) serem malsucedidas. Entretanto, é bem provável que você não veja tal Flashpoint caso opte por voltar para a sua campanha.

Em retrospecto, eu ainda amo a campanha de BattleTech ; ela é ótima para aclimatar aqueles que não estão habituados com o universo às nuances políticas que envolvem a tomada pelo poder, a traição, as dificuldades e o constante medo de não ter dinheiro suficiente para mais um mês. Todavia, a campanha é muito “on rails”, por assim dizer. Jogue uma vez BattleTech e você saberá como a campanha se desenrola. Nesse aspecto a Harebrained Schemes fez o que seria melhor para BattleTech: investir no modo carreira.

Eu sei que isso pode torcer o nariz de muita gente, mas acredite: o modo carreira atualmente é a melhor maneira de aproveitar BattleTech. Você tem a completa liberdade para tomar decisões, realizar contratos como bem entender. BattleTech torna-se quase como um XCOM. E ainda assim bem há a chance de que você não veja o bioma urbano até umas boas horas de jogo por um simples motivo: ele é absurdamente difícil.

Combate urbano sempre é complicado de se implementar — seja ele em jogos de estratégia como Close Combat — que almeja por um aspecto mais realista — ou até em jogos como o próprio XCOM — seja ele a versão original de 1993 ou o soft reboot da Firaxis. O principal empecilho é a linha de visão dos seus mechs. Onde antes existia um (quase) total controle sobre como você pode posicionar os seus mechs para efetuar o melhor disparo e destruir aquele Atlas que está te importunando durante grande parte da partida, agora você tem de cogitar inúmeras variáveis. O Atlas está posicionado em um campo de visão que permite a você usar equipamentos como o SRM ou o LRM? E se um mech médio inimigo usar os propulsores para ganhar um maior campo de visão e detectar as suas unidades? Tais variáveis não estão no jogo apenas por “estar”, puramente por motivos cosméticos, ou só para agradar a base de fãs mais entusiastas. Elas realmente impactam a partida, requerendo cautela e todo um novo planejamento desse bioma. Não é todo jogo que é capaz de fazer isso sem desequilibrar o restante do conteúdo anteriormente implementado.

Urban Warfare

É por conta disso que eu fico tão abismado como a Harebrained Schemes tornou esse processo de aprendizado o menos doloroso possível — apesar de grande parte das minhas partidas do modo carreira terem acabado em completo desastre. O ponto-chave aqui é que ela força o jogador a assumir uma nova mentalidade. Acabou aquela história de aproveitar o terreno aberto para se beneficiar de ataques traseiros ou laterais. Você tem de adentrar Urban Warfare quase como um jogo completamente separado de
BattleTech. Prédios podem ser destruídos, fazendo com que Mechs localizados nos topos deles recebam dano adicional. É uma quase constante caça entre gato e rato.

E mesmo que você opte por não comprar a expansão, a atualização que acompanha Urban Warfare traz novas variantes de mechs já presentes no game. Dentre eles estão o UrbanMech UM-R60L, o UrbanMech UM-R90, o Banshee BNC-3S, o Capult CPLT-C4, o Vindicator VND-1AA, o Blackjack BJ-1DB e o Hatchetman HCT-3x (o último exclusivo para aqueles que já possuem a expansão Flashpoint). Podem soar “semelhantes”, mas acredite, você vai necessitar deles. Em um gigantesco rebalanceamento das principais mecânicas, a Harebrained Schemes mostra mais uma vez que não está para brincadeira. Veículos terrestres como tanques — tão criticados pela comunidade por serem facilmente destruídos — agora recebem uma nova camada de armadura e armamentos.

A minha dolorosa lição veio em um contrato aleatório que peguei no modo carreira. O objetivo era simples: impedir um comboio de alcançar um determinado local do mapa, com o objetivo opcional de eliminar os mechs que os escoltavam. “Fichinha”, disse. Até ver que tomei a terrível decisão de levar só um mech médio, com o restante dos mecs leves — muito deles munidos apenas com laser de médio porte. Não preciso dizer que foi um desastre, não é mesmo? O comboio estava munido de veículos com canhões, e eu — inocente — achei que meus mechs estariam a par das monstruosidades que navegavam pelo campo de batalha. O resultado foi ter escapado com um único mech extremamente danificado e mais uma derrota para conta.

Estava decepcionado? Nada disso; estava mesmo era entusiasmado para começar mais uma nova campanha, e assim descobrir o que mais eu encontraria de novidades com Flashpoint e a atualização que a acompanhava. Pois, diferentemente de outros títulos da Paradox *cof cof Crusader Kings II e Europa Universalis IV* a Harebrained Schemes é mais do que capaz de compreender quais as melhorias que devem ser implementadas para que BattleTech se torne um jogo ainda melhor.

Urban Warfare

Se há uma única crítica que eu posso fazer sobre Urban Warfare, esta se limita ao desempenho. Por mais que goste das batalhas em cidades, o desempenho das mesmas é absolutamente irritante. Seja pelo tamanho do mapa ou pela quantidade de cálculos que precisam ser feitos, em cada turno, a minha taxa de quadros caía dos típicos 60 quadros por segundo para 20 ou até 15. Não chega a incomodar tanto — afinal, é um jogo com um combate em turnos — mas eu realmente esperava um desempenho melhor. E ai de você mandar uma saraivada de mísseis como o SRM10 ou o LRM 10.

Também é fácil dizer que Urban Warfare é um pouco “mais do mesmo”, mas honestamente, é o absoluto contrário. Ele mais uma vez revigora BattleTech de maneiras inesperadas, adiciona novos eventos, e o torna um pacote ainda mais atraente para entusiastas. Se você é um desses que só tem interesse na campanha, não há muito o que ver. Mas se você é como eu, que debruça no lore, que quer saber cada detalhe, que quer otimizar os seus mechs para enfrentar as mais variadas situações, é um acompanhamento perfeito para um jogo de estratégia excepcional.

BattleTech: Urban Warfare

Total
Problemas de desempenho à parte em ambientes urbanos, Urban Warfare cumpre a promessa de revigorar BattleTech muito mais do que sua expansão anterior — Flashpoint. É uma expansão voltada para os entusiastas — até mesmo para os masoquistas. Tenha paciência, examine os seus mechs, aproveite as novidades e veja como o game evoluiu de um ano para cá. Ainda um dos meus favoritos do gênero.
Muito bom

Análise – BattleTech: Urban Warfare

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.